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O Eu e a Democracia

 

Muitas pessoas podem saber que os “gregos inventaram a democracia” e que “Atenas era o berço da democracia.” Eu penso no indivíduo como um membro da “democracia.” Não considero o eu em oposição à sociedade, mas como uma entidade que só pode sê-lo totalmente em relação a outras pessoas. O “Eu” apenas faz sentido em relação não apenas à família ou aos amigos, mas também a outras pessoas da comunidade como um todo. A afirmação clássica desta prioridade é aristotélica: “o homem é por natureza um animal político.”

Esta afirmação necessita de algum desenvolvimento. Primeiro a palavra “homem” significa “ser humano.” Segundo, o filósofo Aristóteles toca um ponto quase zoológico: tal como alguns seres andam aos pares e outros em grupos, também o animal humano vive politicamente de acordo com a natureza. Finalmente, “político” significa “numa pólis.” Pólis, muitas vezes traduzido como “cidade”, não quer dizer “centro cívico”, mas uma comunidade de independência total: a cidade, os campos, os santuários, as colinas, os portos e todos os que aí vivem.

Os cidadãos (Politai) eram, por regra, apenas os adultos. Para o cidadão era privilégio administrar a sua própria cidade e lutar por ela nas crises sociais e guerras. Era a sua cidadania que os tornava totalmente humanos. De acordo com o discurso fúnebre de Péricles (governante de Atenas) dizia: se um homem não participa na cidade (Pólis), então, longe de ser discreto, ele é inútil. Distanciar alguém da vida política significava afastar-se da condição humana. Compartilho na visão ateniense que um cidadão tem o dever de participar na vida da cidade.

Nesta visão grega do lugar do cidadão na Sociedade ou da política não é de modo algum a moderna perspectiva. Os modernos tendem a definir-se em termos das suas próprias existências interiores e talvez de um pequeno círculo familiar e de amigos. A Sociedade, o Estado, é algo imposto, algo que não inclui o “nós.” Nós voltamos para um ideal muito privado, a crença de que uma vida boa é a que vivemos nos nossos limitados círculos de amigos e familiares, fechados do resto do mundo. Para os gregos clássicos, isso teria sido um fracasso escandaloso da maturidade humana.

Uma outra orgulhosa declaração dos ideais da democracia ateniense é posta pelo rei Teseu na peça de Eurípedes “As Suplicantes” na década de 420 a.c: “Esta é a verdadeira liberdade quando os homens que nascem livres, tendo de aconselhar o povo, podem falar livremente. Aqueles que podem e querem falar livremente merecem altos louvores. Quem não pode, nem quer, que permaneça em silêncio.”

Finalmente, nas próximas eleições vamos juntar as nossas forças a favor da liberdade e da democracia.